Exposição “Memorial do Desenho”, no MAC

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, ou MAC USP, ou apenas MAC, está com uma exposição de desenhos que você tem que ver e eu vou dizer por quê.

De todos os tipos de arte, o desenho foi a primeira forma que o homem usou para se expressar graficamente. Quando estudamos história da arte, o primeiro assunto que se estuda são os desenhos rupestres. Existem teorias de que os homens primitivos desenhavam bisões, mamutes, touros – animais que esses homens caçavam – por uma crença de que, dominando a imagem, dominariam o animal também. Outras, que essas imagens tivessem algum significado ritualístico, sempre relacionada ao momento da caça, para de alguma forma potencializar o poder sobre o animal.

Independentemente de qual fosse o objetivo, trata-se da projeção gráfica de uma ideia sobre um suporte, da representação de algo real a partir de um ato criativo.

Desde então, a Humanidade não parou de desenhar.

A exposição é composta, na sua maioria, de desenhos do próprio acervo do museu, de artistas como Victor Brecheret, Tarsila do Amaral, Ismael Nery, além de algumas obras que dialogavam com estas – você vai ver, logo que entrar, o grafite do artista paulista Rodrigo Amor Experimental.

Quando estiver na exposição, observe os diferentes estilos de traço, de composição, de suporte, de tema, de técnica, como podem ser tão diversos entre si, mas todos têm uma coisa em comum, que é o desenho.

Seja o desenho como representação do real, como projeto, caricatura ou ilustração, como sinalização, representação simbólica ou uma projeção do infinito mundo da imaginação, seja mesmo um simples rabisco no papel, ele está entre nós deixando vestígios dos nossos passos, das nossas ideias, dos nossos feitos, desde que descobrimos que podíamos fazer isso.

Então depois de desenhar o mundo à nossa volta, desenhamos os mundos do além, e os mundos interiores, e os mundos inventados, e desenhamos desejos, e alguns desses desejos viraram prédios, carros, cadeiras, roupas, obras de arte, mapas, sistemas, letras, e juntando as letras criamos palavras, e voltamos ao início e ainda hoje continuamos fazendo tudo isso ao mesmo tempo.

Cada desenho dessa exposição traz um pouco do artista que o fez, e como o desenho faz parte da nossa vida, ela também traz um pouco de cada um de nós.

Exposição “Memorial do desenho”
6º andar
Até 28 de junho de 2020.

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo – MAC USP
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – São Paulo-SP, Brasil
Terça a domingo das 10 às 21 horas
Segundas: fechado
Entrada gratuita.

"A última ceia", 1495-98, Leonardo da Vinci

A última ceia, 1495-98, Leonardo da Vinci. Pintura mural (óleo, têmpera e outros materiais). Refeitório da igreja Santa Maria delle Grazie, Milão.

“Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair. Então os discípulos olhavam uns para os outros, duvidando de quem ele falava. Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus. Então Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava. E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é? Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão”. (João, 13:21-26)

“E, comendo eles, disse: ‘Em verdade vos digo que um de vós me há de trair’. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: ‘Porventura sou eu, Senhor?’ E ele, respondendo, disse: ‘O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair'”. (Mateus, 26: 21-23).

Foi este momento específico do episódio bíblico que Leonardo da Vinci escolheu representar na obra encomendada para decorar o refeitório do monastério do complexo que compreende a igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, no final do séc. XV. O episódio da Última Ceia era tradicionalmente escolhido para ser representado nas paredes dos refeitórios dos monastérios e conventos.

As reações dos doze apóstolos davam a Leonardo a possibilidade de explorar a dramaticidade e a teatralidade na figura de cada um. Alguns estão surpresos, outros indignados, outros se apressam em declarar inocência, e apenas um não manifestou reação nenhuma: o autor da traição anunciada.

O artista reuniu as 12 figuras em quatro grupos de três, usando o recurso de proximidade e distanciamento. Veja na figura abaixo quem são:

As reações, que se manifestam nos corpos e nos gestos, contrastam com o cenário em perspectiva em perfeita harmonia, que concentra na cabeça de Jesus o ponto de fuga da estrutura. É esse ponto de define o traçado do ambiente, as tapeçarias nas paredes e o quadriculado do teto.

O efeito da perspectiva faz o olhar estender-se em profundidade na composição e ir além, passando pelas janelas e chegando à paisagem em último plano. Dessa forma, o observador mergulha na pintura, o que deve ter impressionado os monges que ali faziam suas refeições: o ambiente da ceia santa se mistura ao ambiente real do refeitório, ao mesmo tempo em que projeta o olhar para a figura do Cristo, elaborada em formato piramidal, muito apreciado pelos renascentistas.

O estado de conservação ruim se deve, em parte, pela técnica escolhida. Leonardo era um inventor, gostava de fazer novas experiências, e não dominava a técnica do afresco. Diferentemente de uma pintura sobre tela ou madeira, a camada pictórica de um afresco é aplicada sobre a parede ainda úmida (“a fresco“), de forma que a tinta e misture à última camada do reboco. Assim, a camada de tinta é mais sólida e resistente ao tempo. Leonardo preferiu usar óleo e têmpera, pois são materiais que permitem repensamentos e correções ao longo do processo. Diz a crônica que ele observava a obra por horas, dava duas ou três pinceladas, e ia embora.

Há registros do mau estado de conservação já em 1517, menos de vinte anos após sua conclusão. Ao longo dos séculos, sofreu diversas intervenções de restauro, algumas mais, outras menos bem-sucedidas, e entre uma e outra, algumas novas intempéries, como o bombardeamento da porta leste em 1943 e a poluição atmosférica provocada pelo excesso de automóveis nos anos 1960 e 1970. O último restauro durou de 1977 a 1999.

Hoje é possível visitar o antigo refeitório de Santa Maria delle Grazie em Milão, reservando um horário pela internet (com uma certa antecedência), numa visita que dura exatos 15 minutos. A dica de sempre é: se for visitá-la, aproveite cada um desses minutos, não perca tempo tirando fotos. Se puder, pegue um áudio-guia.

Exposição “Histórias das mulheres. Histórias feministas” no MASP

Quantas artistas mulheres você conhece?

O ambiente artístico brasileiro do século XX é uma exceção no cenário mundial. Duas artistas mulheres ganharam fama e reconhecimento durante sua carreira e são lembradas, até hoje, como dois ícones da arte moderna brasileira: Anita Malfatti, a grande precursora da arte moderna no Brasil, e Tarsila do Amaral, que combinou nas telas a herança plástica das vanguardas históricas europeias com os temas e cores brasileiros.

De uma certa forma, a historiografia da arte brasileira do século passado foi um ponto fora da curva. O que vemos na maioria dos centros de produção artística no resto do mundo, assim como no Brasil pré-Semana de 22, é o predomínio massivo de homens que pintam, esculpem, desenham, projetam, fotografam e escrevem, teorizam e discutem sobre arte.

Isso não significa que não havia mulheres produzindo arte. Assim como nos outros setores da sociedade, às mulheres não era dado pintar, esculpir, desenhar, a não ser no que se referisse a adquirir habilidades para fazer um bom casamento, único destino possível e aceitável para o sexo feminino em quase qualquer sociedade em quase qualquer momento da história.

Isso não significa que todas se resignaram a esse papel e é isso que a exposição “Histórias das mulheres. Histórias feministas” apresenta ao visitante. Nas últimas décadas, os estudos de gênero vêm revelando as mulheres artistas que foram invisibilizadas nas suas épocas e aquelas que obtiveram sucesso com seus ofícios mas foram ignoradas pela historiografia da arte.

É o caso de Lavinia Fontana (1552-1614), que se casou com o também pintor Gian Paolo Zappi com a condição de que pudesse continuar pintando. O marido acabou abandonando a própria carreira para trabalhar como assistente no ateliê da esposa e para cuidar dos onze filhos do casal. A artista integrou a Academia di San Luca em Roma, uma das mais importantes escola de belas artes da Itália naquele momento, e é considerada a primeira artista a ter trabalhado no círculo de pintores do Renascimento.

Retrato de uma nobre da família Gonzaga ou San Vitale, Lavinia Fontana, óleo s/ tela, sem data.

A história da francesa Elisabeth Louise Vigée Le Brun (1755-1842) permeia várias esferas de reflexão. Ocupou o cargo de “primeira pintora” da rainha Maria Antonieta (1755-1793) e foi admitida na Academia francesa em 1783 quando isso era raro. Após a Revolução Francesa ela manteve-se fiel aos seus ideais monárquicos e acabou abandonando a França para trabalhar em outras cortes europeias. No Autorretrato com chapéu de palha, ela representa a si mesma em pose e roupas exuberantes, como a artista bem-sucedida da corte francesa que era quando realizou a pintura. Em seu ateliê colaborou outra artista presente na exposição, Marie-Guillemine Benoist (1768-1826), que também foi aluna do pintor oficial da corte de Napoleão Bonaparte, Jacques-Louis David (1748-1825).

Autorretrato com chapéu de palha, Elisabeth Louise Vigée Le Brun, óleo s/ tela, 1782.

Outro mérito da exposição do MASP é colocar a produção de rendas e bordados exposta ao lado de pinturas, rompendo com a barreira construída entre as chamadas “belas artes” e o artesanato, considerado uma arte menor ou mesmo nem considerado arte nessa hierarquia de valores. Em diversas partes do mundo, como exposto, a produção de rendas e bordados era dominada pelas mulheres e foi intensamente explorada comercialmente, enquanto as autoras dessas obras permaneceram anônimas.

Detalhe do Xale de noiva, fio de seda sobre tecido de algodão, final do século 19, Pujob, Índia e atual Paquistão.

No 1o subsolo, a visita continua com histórias de a partir dos anos 2000, onde a presença feminina dá lugar à presença feminista. No século XXI, a luta feminista consolidou-se um grande guarda-chuva que engloba como a luta contra a misoginia, isto é, contra a aversão a tudo que se conecta ao universo do feminino, incluindo os universos lésbico, gay, trans e queer.

As histórias são variadas e revelam fatos da história da arte tão incomuns para os nossos sentidos acostumados com as narrativas masculinas, que ler os textos curatoriais torna-se tão importante para a visita quanto ver as obras. Afinal, o objetivo da exposição parece, de fato, fazer das obras o meio para contar essas “Histórias das mulheres”, histórias apagadas da História e que vão sendo recuperadas, pouco a pouco.

Exposição “Paul Klee – Equilíbrio Instável” no CCBB-SP

Imperdível a exposição em cartaz no CCBB de São Paulo sobre a obra de Paul Klee (1879-1940), pintor suíço de ascendência alemã, considerado um dos precursores da abstração na arte europeia. “Paul Klee – Equilíbrio Instável” é a primeira mostra dessa grandeza sobre esse artista que acontece no Brasil, com 123 obras entre pinturas, gravuras, desenhos e instrumentos de trabalho, enriquecidas por informações biográficas e técnicas.

O historiador da arte Giulio Carlo Argan compara o processo criativo de Klee ao de um cientista que, com um meio técnico como o microscópio, torna visíveis os micro-organismos que sabemos que existem mas, de outra forma, não poderiam ser vistos. O artista, então, torna visíveis os “micro-organismos” que povoam as regiões profundas da memória inconsciente e que passam a existir para o mundo apenas no momento em que são revelados.

Essa ideia se expressa na frase mais famosa de Klee: “a arte não reproduz o que é visível, mas torna visível”. O artista, então, faz uso da própria sensibilidade e dos próprios sentidos para apreender os impulsos que vêm tanto da natureza quanto da profundidade do próprio ser, para transformá-los em imagens sobre um suporte. Assim, sua busca por técnicas artísticas variadas, como é o caso de Klee e pode ser visto na mostra, vem da necessidade de oferecer as imagens/formas/signos mais adequadas para ilustrar esse fenômeno. Esse processo faz do desenho uma base fundamental da obra de Klee, ao mesmo tempo em que ele se revela profundamente devoto à cor.

Por que ver essa exposição?

Há pouquíssimas obras de Klee no Brasil. Em coleções públicas, a única obra de Klee é A Santa da luz interior (1921), uma litografia que pertence ao acervo do MAC USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo).

Logo, é a oportunidade de ver ao vivo muitas obras-primas do artista, que pertencem à coleção do Zentrum Paul Klee, a instituição que cuida da proteção e promoção da sua obra, e que fica em Berna, na Suíça. Sem falar, é claro (e isso vale para qualquer pintor), que a experiência de ver a obra ao vivo significa poder ter um contato físico muito próximo com a materialidade da obra (veja dicas abaixo).

Embora tenha inspirado muitos grandes mestres (do expressionismo alemão, do dadaísmo, do surrealismo), e tenha sido inspirado por outros (principalmente pelo cubismo de Pablo Picasso, o fauvismo de Robert Delaunay), a sua obra é, de fato, única na história da arte. Klee é um artista complexo, sua obra é cheia de nuances das quais a própria exposição do CCBB não poderia dar conta, já que pretende ser mais uma primeira apresentação mais completa do artista. Museus europeus podem se dar ao luxo de montar exposições que desmembrem mais a obra de artistas como Klee, como a mostra em cartaz até 3 de março de 2019 no MUDEC de Milão. Por isso, uma exposição como essa era muito esperada e, também, muito necessária.

Dicas para visitação

  • Preste atenção na materialidade da obra: o que foi usado? Qual é material do suporte? Veja que tipos de tinta são mais densos ou mais translúcidos. Que efeitos o suporte causa na imagem?
  • Percorra a obra. Uma das melhores formas de fruir algumas obras de Klee é seguir com os olhos – ou com o dedo no ar mesmo – as linhas que compõem suas imagens. Muitas delas são formadas por uma ou duas linhas contínuas. Outras se formam de poucas linhas soltas que se completam no nosso olhar.
  • Observe como ele alterna linhas finas e grossas nos contornos das figuras. Observe como ele aplica a cor em espaços circunscritos, às vezes para definir uma figura estilizada, às vezes para diferenciar a figura do fundo.

Quer saber mais?

"Paul Klee - Equilíbrio Instável"
13 de fevereiro a 29 de abril de 2019
Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo
Quarta a segunda, 9h às 21h
Entrada gratuita

Obras da Tate no MASP

Este é o último mês para ver as 6 obras que a Tate Modern – importante museu de arte moderna de Londres – emprestou ao MASP para expor junto com seu acervo permanente na exposição de longa duração “Acervo em transformação”. Só até 16 de fevereiro será possível ver as obras de Gwen John (País de Gales, 1876-1939), Sylvia Sleigh (País de Gales, 1916-2010), Ibrahim El Salahi (Sudão, 1930), Francis Newton Souza (Índia, 1924-2002), L. S. Lowry (Inglaterra, 1887-1976) e Francis Bacon (Irlanda, 1909-1992), colocadas em diálogo com obras do acervo do MASP.

Esse diálogo entre as obras é privilegiado pela expografia dos chamados cavaletes de cristal, projeto inovador e único no mundo (segundo o próprio MASP), da arquiteta Lina Bo Bardi. Eliminar as paredes como suporte para os quadros e abolir o percurso de visita definido permitem diálogos múltiplos entre as obras, transformando o espaço da exposição numa grande conversa, em que o visitante escolhe que vozes quer escutar. Construindo o próprio percurso, você, visitante, constrói a própria narrativa e a própria experiência com os quadros, na qual a curadoria do museu lança apenas alguns gatilhos, aproximando e distanciando obras umas das outras e renovando as obras expostas.

Então:

Por que visitar essa exposição?

As obras da Tate vieram fazer parte dessa conversa. É como receber a visita de um estrangeiro em casa: surgem novos assuntos, ambos ampliam suas visões de mundo e entendem melhor o outro e a si mesmos.

Os curadores as posicionaram ao lado de obras de artistas brasileiros, então se você já as conhecia, é uma oportunidade de vê-las com outro olhar; se não, é uma primeira aproximação interessante, que pode se acrescentar a outras, quando as obras da Tate forem embora e as obras brasileiras ganharem novos vizinhos.

É uma oportunidade de ver essas seis estrangeiras e perceber que um dos critérios da curadoria para a escolha das obras foi preferir artistas que escapam ao padrão “homem, branco, europeu/estadunidense”. Além dessas, tem a obra de Francis Bacon, artista consagrado mas do qual o MASP não tem nenhuma obra e não são muitas as oportunidades de ver obras suas por aqui.

Dicas

No mapa da exposição, disponível ao lado das escadas, estão marcadas as obras da Tate. Dá para ir direto até elas.

Ooooou você pode aproveitar a disposição atual das obras do acervo e ir vendo tudo até chega às obras da Tate, por exemplo, ver os 3 Van Gogh no meio do salão, ou o grupo de 5 Modigliani um pouco atrás. Ou o painel das Guerrilla Girls no fundo do salão, registrando que em 2017 havia 6% de artistas mulheres em exposição (há uma nota no mapa que mencionei, em que informam que o número atual são 11,8%).

"Acervo em Transformação: Tate no MASP"
MASP - Museu de Arte de São Paulo
Até 16/2/2019
R$35,00 inteira. R$17,00 meia. Grátis às terças.

Exposição “Passado/Futuro/Presente”

Quando se fala em “arte brasileira”, o que lhe vem em mente?

Como todo rótulo, a noção de “arte brasileira” que existe no nosso imaginário é composta de imagens e ideias que fazem um recorte da realidade, para torná-la mais simples de digerir. Uma mente levemente inserida no conhecimento sobre a arte no Brasil talvez volte até Anita Malfatti, passe pelo modernismo da Semana de 22 e suas reverberações nas décadas seguintes, pule para o neoconcretismo, lembre de Helio Oiticica (e de muitos outros ícones da nossa história da arte) e, ao chegar no nosso tempo, perceba que hoje o encurtamento das fronteiras geográficas tenham tornado mais complexa a noção de brasilidade.

A exposição “Passado/Futuro/Presente” é uma mostra de arte brasileira. Ou de arte do Brasil. Ou feita por artistas brasileiros. Forte como é o imaginário do que é “arte brasileira”, fica estranho chamá-la assim. São obras do acervo do MAM das décadas de 1990/2000 que mostram como, a partir de certo momento, a produção brasileira rompeu com essa essência de brasilidade, fosse abrindo mão dos símbolos que compunham uma identidade da arte brasileira, fosse ironizando e criticando esses rótulos. A brasilidade se alarga e nela aparece a diversidade e a multiplicidade de expressões, de referências, de fronteiras geográficas e temporais.

O título é um convite a olhar as obras com essa visão expandida, abolindo a leitura cronológica e entendendo que, nesse complexo que resulta na produção artística brasileira dessas duas décadas, tudo é presente.

Por que ver essa exposição?

A seleção de obras é um recorte interessante para entender a arte que se estava produzindo no Brasil naquele momento, principalmente quanto às obras críticas a temas que ainda são bem atuais: objetificação da mulher, indústria da beleza, uso e ocupação dos espaços urbanos, desigualdade social.

Dicas para visitação

  • A exposição não tem um percurso definido. Se quiser seguir um percurso, tenho duas sugestões: ir por um lado do pavilhão e voltar pelo outro, ou começar pelo final e ir voltando.
  • A mostra está dividida em 5 núcleos temáticos que ajudam a compreender as obras.
  • O MAM pede que mochilas e bolsas grandes sejam deixadas no guarda-volumes. Minha dica é: deixe tudo! Quanto menos peso, mais confortável a visita.
Curadoria de Vanessa Davidson e Cauê Alves.
De 12/01 a 31/03/2019
Museu de Arte Moderna de São Paulo
Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Ingresso: R$7,00. Grátis aos sábados.